Coluna: Basílio Neto

Idade: 30 Anosl

Naturalidade: Campina Grande

E-mail: basilio-neto@hotmail.com

Peril do colunista
Administrador de empresas, radialista e estudante de Jornalismo. Apresenta o programa cidade.com, sábados 15h na Rádio Cidade AM de Campina Grande: www.redeesperanca.com.br.

A ODISSÉIA DO GALO NO BUG DO MILÊNIO PDF Imprimir E-mail
Qua, 14 de Março de 2012 12:09

Eu estava a ouvir pelo rádio. Mergulhando no processo mental de imaginação, pós-audição. Aquilo era inacreditável. Já tinha sido inesperado o resultado do primeiro momento, mas agora no território deles, era bom demais para ser verdade. Corri para o Parque do Povo. Lá havia um telão e nem tanta gente assim. A euforia era contida, pela incredulidade dos olhos. O êxtase era tamanho que a maioria achava que só em enfrentar o inimigo, em igualdade de condições já era um orgulho sem tamanho.

À distância, não dava para ver muita coisa. Só alguns vultos, em meio às vozes que mais uma vez instigavam o emocional. Será que naquela batalha de Davi contra Golias, o resultado bíblico e histórico se repetiria? Por que não? Aquele confronto foi a prova de que o primeiro passo é vencer a si mesmo e o medo. O que vier depois será lucro. O ano era 1999. As esperanças eram inflamadas naquela noite. Será que algo extraordinário aconteceria antes do Bug do Milênio? Ao que parecia, sim. Até que enfim. Alegrias para quem mais necessita. Era o mais fraco se impondo diante do mais forte, sem medo.

Nossos guerreiros tinham nomes desconhecidos, desacreditados e às vezes ridicularizados. Os oponentes eram famosos, ricos e não queriam ter de se esforçar para bater o "frágil" inimigo. Eles tiveram a dura surpresa de receber a agressão ríspida como contato inicial e tiveram de fazer uso da experiência adquirida ao longo de muitas outras batalhas passadas, para, através do controle emocional, desbancar os forasteiros indesejados, que queriam se apossar dos seus suprimentos anuais. E só nos últimos instantes, os guerreiros mais bem preparados, com melhores condições de trabalho, com armaduras mais tradicionais, desbancaram os atrevidos e insistentes gladiadores.

Ufa! Como é difícil falar de futebol, sem aquela linguagem própria. Copa do Brasil 1999. Treze 2x2 Corinthians e o mesmo placar de Campina Grande se repetiu em São Paulo. O Timão de Marcelinho Carioca, Gamarra, Rincón, Vampeta, Edílson, Ricardinho,Dinei, Mirandinha, Fernando Baiano e Evaristo de Macedo, sofreu para eliminar o Treze de Anderson Lima (autor de três gols), Bau, Walnez, Valério, Zé Galego, Wendel, Felinho e Nereu Pinheiro. Só nos pênaltis. Antes, pela Copa do Brasil do mesmo ano, o Treze já havia eliminado o Santa Cruz em Recife. Nos momentos que antecedem o jogo contra o Botafogo-RJ no Almeidão, estas lembranças nos dão esperança de que o Treze possa jogar mais uma vez de igual para igual com um grande e tradicional time brasileiro.

Após o feito grandioso de 2005, em que terminou na quinta colocação na Copa do Brasil, o Galo tenta reeditar os seus bons momentos na competição e esquecer os 2x0 contra o mesmo Corinthians em 2007, a vergonhosa eliminação para o Votoraty em 2010 e os 3x0 diante do São Paulo em 2011. Será que o Treze volta a ser o Galo atrevido da Copa do Brasil de outros tempos? Quem sabe esta nova Odisseia começa no Almeidão e se estende até o Engenhão. Passando esta primeira etapa, ninguém será “Loco” de desprezar o Galo duro pra chuchu. Nem mesmo o Abreu, que já disse que quer a camisa do Treze, seu número de sorte.

Basílio Neto apresenta o programa CIDADE.COM na Rádio Cidade

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CHUTE NO TRASEIRO PDF Imprimir E-mail
Ter, 06 de Março de 2012 20:39

Pontapé na bunda ou chute no traseiro? Tanto faz. O interlocutor para assuntos da Copa do Mundo de 2014 e Secretário-geral da FIFA, o francês Jérôme Valcke, tentou mostrar a sua preocupação com os atrasos nas obras em nosso país, de uma maneira pouco respeitosa e acabou tendo que ouvir duras críticas do Ministro dos Esportes Aldo Rebelo. Até uma carta foi escrita ao Presidente da FIFA Joseph Blatter, pedindo que Jérôme seja substituído. Este, por sua vez, já se retratou e afirmou que tudo não passou de um equívoco na tradução, de uma expressão do francês para o português.

Independente do termo utilizado e da arrogância de muitos estrangeiros que desrespeitam o Brasil, todos nós sabemos que o nosso país deixa muito a desejar quando o assunto é organização. O tal do jeitinho brasileiro ainda vai nos pregar muitas peças, daqui para a realização da Copa do Mundo. Fazendo uma analogia com esta situação, que parece estar se resolvendo aos poucos, lembro-me do que aconteceu aqui na Paraíba, quando o Ministério Público se mostrou contrário à liberação dos principais estádios para a realização dos jogos do Campeonato Paraibano no início do ano.

O Promotor do Cidadão,Valberto Lira, foi visto por muitos torcedores e dirigentes como alguém, que de certa forma, estava impedindo a realização do tão esperado e sofrido Certame de futebol. Na realidade, o que estava acontecendo era uma iniciativa em tentar preservar a integridade física dos que frequentam as praças de esporte em nosso estado. Muitos até esbravejavam: "Todo ano é a mesma coisa, no final alguém assina um termo e tudo certo". E assim caminha a humanidade brasileira, varrendo a sujeira e pondo debaixo do tapete.

Será que alguém também está precisando de um chute no traseiro para acordar no Campeonato Paraibano 2012? O Campinense perdeu a liderança para o Sousa. Freitas já está ameaçado, dizem. Interessante é a vida do treinador. Um dia é o melhor, noutra ocasião é apenas um entregador de camisas. Acho que o técnico precisa ser acima de tudo um líder, alguém que motive e tenha o grupo nas mãos. O Treze vem mostrando estabilidade, apesar das derrotas no sertão e da tabela ingrata. O Botafogo de Suélio mostra que quer uma vaga no G4, apesar da recente queda no desempenho. 

O Paraíba de Cajazeiras surge como a provável surpresa de 2012. Faz lembrar o CSP de 2011. O Sousa sempre que pode gosta de contrariar os que não o colocam como um dos grandes da Paraíba e já apronta das suas na liderança. Neto Maradona, a quem eu vi jogar no Campinense de 1993, mostra que não está para brincadeira. Treze e Sousa, têm tudo para fazer um grande clássico no próximo domingo (11). E o Flamengo paraibano? Agoniza, com apenas um ponto ganho. Até 2014 chegar, muita coisa vai acontecer. Muitos chutes e pontapés serão desferidos nos traseiros alheios. Daqui para lá o futebol da Paraíba bem que poderia evoluir um pouco mais. Já pensou se surge um time profissional na cidade de Bayeux? Sei lá, o Vasco paraibano, talvez.

O nome Bayeux nasceu de uma sugestão do então jornalista Assis Chateaubriand ao interventor do estado na época, Rui Carneiro, em homenagem à primeira cidade francesa (de mesmo nome) a ser libertada do poder nazista pelos aliados durante a Segunda Guerra Mundial. É melhor parar de misturar as coisas, pois, quando o assunto é futebol, os franceses não respeitam mais os brasileiros. Desde Platini, até Zidane e Henry, nossa vida não tem sido nada fácil. Será que Henry joga a Copa no Brasil? Tomara. Só assim poderemos dar um pontapé no traseiro dele. Se ele não vier, Jérôme Valcke é que vai "pagar o pato".

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MOICANO COM GRISALHO PDF Imprimir E-mail
Ter, 31 de Janeiro de 2012 09:46

Está cada vez mais difícil para os jogadores que passam dos 30, mostrarem que ainda são capazes de jogar futebol de alto nível no Brasil. Há muito preconceito. A cada temporada que passa, percebemos que os times lançam no profissional jovens de 16, 17 anos, para que o menino vingue logo, e possa dar muito lucro em sua efêmera carreira. Um dia desses ouvi o polêmico comentarista e ex-jogador Neto, elogiar Marcos Assunção do Palmeiras. Com aquele sotaque caipira ele disse que Assunção bate muito bem na bola, é um bom jogador, apesar da idade avançada. Então eu pergunto: o que tem a ver a idade do cara, se ele ainda se mostra bem fisicamente e capaz de contribuir para o seu clube? Na realidade, percebo que muitos jogadores trintões e até quarentões, como Túlio Maravilha, sofrem um bullyng disfarçado em suas equipes.

Um jogador do nível de Rivaldo, que manteve sua forma técnica e física, praticamente não pode mostrar o seu potencial no São Paulo. Se errasse um passe, era a idade, se deixasse o zagueiro sair jogando, era porque já está velho. Se faz um gol, dizem que até minha vó faria. Sendo assim, o jogador que quer prolongar um pouco mais a sua vida útil, precisa se preparar para enfrentar as críticas, tão somente por não ser mais um garotinho dando pedaladas em vão.

É por isso que a Seleção Brasileira, de hoje, se transformou em uma medíocre seleção igual a muitas outras. Vestir a camisa amarelinha, quanto mais cedo melhor. Torna o jogador mais valorizado. Então, quando se tem um bom contato e algo parecido, convoca-se um tal de Afonso, que tanto encheu os olhos de Dunga antes da Copa de 2010. Me lembro que foi quase um escândalo à época, quando Ronaldo Nazário surgiu no time profissional do Cruzeiro, em 1993, com 16 ou 17 anos de idade. Mas quando se é craque de verdade, acaba dando certo. Esse negócio de pedalada e futebol-marketing não cola. A prova foi o maior chocolate da história, que o Barcelona deu no Santos.

Aqui na Paraíba, ao que parece teremos alguns “velhinhos” atuando em 2012. O mais esperado é Edmundo, o Edgol, pelo Esporte de Patos. Nas décadas de 1990 e 2000, era febre em nosso estado, os times trazerem jogadores em fim de carreira, para brincarem por aqui. Bem antes, o Treze já havia feito Garrincha atuar com a camisa alvinegra, o Campinense trouxe Henágio em 1993, depois Marcelo Passos ex-Santos, também Jorginho Paulista em 2009. O Botafogo contratou Giovane do Vasco, o baixinho que também atuou na Seleção e quase nunca perdia um pênalti. O Belo, alguns anos atrás, contou em seu elenco com Jean Carlos, ex-Palmeiras Parmalat, que ainda joga, aos 39 anos, no Picos – PI. O Guarabira trouxe Roberto Dinamite, em fim de carreira, para um torneio início e o último grande nome famoso e veterano por aqui é Warley, que já passou pela Seleção Brasileira, e por grandes clubes do Brasil.

É o futebol e suas metamorfoses. Antigamente o moleque bom de bola, não tinha vez no meio dos veteranos. Agora é o contrário. Continuo pensando que a mistura entre experiência e juventude, é indispensável para um bom time de futebol. Sempre brinco com meu irmão Giovani, quando avistamos alguns veteraníssimos jogando pelada em Campina Grande: “Aquele ali ninguém toma a bola dele”. Você pode prestar atenção, dificilmente o coroa (bom de bola) erra um passe, sempre dá prosseguimento às jogadas e quando um frangote vai em cima de vez, geralmente é surpreendido. O futebol é para todos. Vamos misturar moicano com grisalho que no final dá tudo certo.

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RACHA DA FOICE PDF Imprimir E-mail
Ter, 24 de Janeiro de 2012 11:03

Desmantelo só presta grande. Ameaça de que os jogos do Campeonato Paraibano 2012 sejam realizados sem torcida, a imagem da Presidente da Federação Paraibana de Futebol muito desgastada (embora estranhamente Treze e Campinense não se mostrem insatisfeitos com Rosilene), Gol de Placa que foi mal anulado, recursos do Bolsa Atleta não liberados, enfim, um cenário desolador se desenha para o ano que se inicia.

É triste, mas é a realidade. Uma das poucas diversões baratas que mexe com a paixão e faz o torcedor fugir da realidade cruel por alguns instantes – o futebol – está seriamente ameaçado em nosso Estado pobre. Não há dinheiro para nada e ninguém sabe para onde ele vai. Reformas que nunca acontecem, apenas maquiam uma realidade que o tempo corrói. Não é de hoje que as vistorias realizadas nos estádios da Paraíba vetam e depois aprovam. Algo deve estar errado.

Por que os nossos jovens não estão nos campos de pelada? Porque talvez um residencial foi construído naquele espaço. A violência e insegurança assustam como nunca. Medo do Rio de Janeiro? Em janeiro a Paraíba sofre com a frieza dos números que mostram o aumento da criminalidade. Se há emprego, há trabalho e os jovens estarão na escola e jogando bola. Se as famílias ensinam aos seus filhos os males das drogas e fazem o devido acompanhamento, o esporte é a saída.

Mas se continuarem a pensar que investir no esporte é despesa desnecessária, tudo se tornará cada ano pior, sem solução. Se perdermos a capacidade de indignação, as pessoas nunca sairão dos seus tronos e a força que move a paixão do torcedor, depositada na marca forte, que é o nome do time, será apagada aos poucos. Aí sim, de uma vez por todas adotaremos os times do Sudeste para torcer. Algo precisa ser feito, senão seria melhor todos irmos participar do Racha da Foice. Tratava-se de um futebolzinho que acontecia na década de 1990, na Pirâmide do Parque do Povo.

Eu tive o privilégio de participar deste encontro futebolístico, apesar da pouca idade na época. Enfrentava sem medo atletas bem mais velhos. Não me deixava intimidar com o nome assustador que o racha possuía. Nunca havia briga entre os integrantes da pelada e se não houver mesmo lugar para os times de Campina Grande jogarem o Campeonato Paraibano 2012, podemos improvisar um showbol na pirâmide. Fazer o quê?

Espero que a paz um dia reine em nosso futebol, que haja evolução também em outras áreas importantes do nosso Estado. Porém, antes que a bola role, teremos que presenciar a entrega da I TAÇA ROSILENE GOMES, ao vencedor de Treze x Paraíba no velho Presidente Vargas. Desmantelo só presta grande.

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FUTEBOL NA MENOPAUSA PDF Imprimir E-mail
Ter, 06 de Dezembro de 2011 18:30

O que será que acontece com alguns artistas, poetas, atores, cantores, escritores, demais profissionais e até mesmo pessoas comuns, que em determinado momento de suas vidas, começam a se tornar irreconhecíveis e não conseguem mais repetir os sucessos e as glórias conquistadas no passado? Quantos atletas e, principalmente jogadores de futebol, insistem em prolongar uma carreira e acabam por deixar uma péssima impressão, que mancha uma trajetória exitosa?

As músicas que Roberto Carlos canta atualmente não lembram nem de longe a sua época de jovem Guarda e os anos 70, 80 e até mesmo parte dos anos 90. E Ronaldinho Gaúcho? Com 31 anos apenas, parece que está em fim de carreira, apesar de um recente lampejo que o trouxe de volta à Seleção Brasileira. Romário, com 41 anos, jogava mais bola do que o Gaúcho, dez anos mais jovem.

Isto me faz lembrar de um período, que as mulheres conhecem bem e que não se cansam de lamentar a sua chegada. É a tal da menopausa. Estudando a origem da palavra, vemos que ela vem do grego e significa “cessação ou detenção” (pausa) do mês. Esta pausa, que acontece anualmente com o fim das principais competições pelo Brasil, poderia ser aproveitada para um momento de reflexão. Dias atrás, meu vizinho me falou desconsolado: “Eita Basílio, acabou a nossa diversão aos domingos. Agora a gente vai ter que aguentar ver Faustão conversando besteira”.

O Corinthians foi campeão com todos os méritos, o Vasco levou a Copa do Brasil, Sport e Náutico voltam à Série A, América de Natal e ABC vão se encontrar na Série B, o Santa Cruz – até que enfim – saiu da D, o Campinense assegurou vaga na quarta divisão e assim segue o ciclo da vida. Candidaturas são lançadas e recolhidas, presidentes permanecem nos seus cargos e fica em nós a missão de procurar encontrar motivação para continuar amando o futebol, apesar de todos os seus defeitos.

Às vezes, a temida menopausa ataca também estudantes de comunicação, metidos à jornalista esportivo. Neste mês de pausa, falta o que falar, o que argumentar. Sobre o que escrever? Bate o desânimo da infertilidade precoce. Os resultados adversos, a mesmice que se apresenta, impedem a manifestação do ímpeto e vontade de mudar o mundo. O que fazer? Nada além de aguardar o novo ano começar com promessas ilusórias e fantasiosas que não servem para muita coisa.

Pode ser que eu seja meio estranho. Desde pequeno gostava de ouvir Nélson Gonçalves, Roberto Carlos, Julio Iglesias, Fevers, Renato e seus blue caps e tantos outros bons artistas. Lembro hoje com saudade também do futebol de Campina Grande em um passado não tão longínquo. A partir de então, passo a perceber a dificuldade que é fugir da menopausa que atrapalha os planos de homens e mulheres e tentar não se render ao tempo. Afinal, ninguém quer se considerado um saudosista aos 30.

 
 

 
DE QUEM É A CULPA? DE ROSILENE, RICARDO OU BLATTER? PDF Imprimir E-mail
Seg, 07 de Novembro de 2011 13:10

Eu não sei nem se o cara é jornalista. Radialista sei que é. Um dia ele disse que depois de ver tudo o que acontece nos porões e túneis dos estádios de futebol, perdeu o encanto e já não vê graça alguma em acompanhar o esporte. Eu então pergunto: aonde é que não há corrupção? Em todas as profissões e setores diversos da sociedade existem os maus e os bons. Até mesmo na política é possível que achemos corruptos. Agora, se quem analisa os fatos sociais é demasiadamente puro, que não pode admitir erro de espécie alguma, então a questão é outra.

O Campeonato Brasileiro, Série A, está dando mostras de que algo vem mudando nos últimos anos. Desde que a fórmula dos pontos corridos foi adotada, a competição de 2011 é a mais disputada. São cinco ou seis times brigando ponto a ponto pelo título e já não vemos esquemas e erros de arbitragem tão grosseiros como historicamente aconteciam na elite do nosso futebol. Entretanto, muito ainda precisa ser feito nas demais divisões, para que não se repita o que aconteceu com as Séries C e D este ano. Acusações de combinação de resultados, cai-cai, Justiça Comum e a sensação que dá é que a terceira e a quarta divisões estão totalmente relegadas a quinto plano.

É evidente que muita coisa precisa mudar, a começar pela democratização e rotatividade nas presidências de federações e confederações. A simples ideia de ditadura e perpetuação no poder, não está sendo bem vista, nos dias em que as redes sociais ganham força e servem como reforço no antigo coro que diz: O povo unido jamais será vencido. O importante é não perder a capacidade de se indignar. O torcedor precisa também, ter o senso crítico, ser capaz de perceber o que acontece e não se deixar convencer por tudo aquilo que ouve, vê ou lê.

Esta época do ano é o período das lamentações. Aqui na Paraíba, após mais uma temporada de fracassos, o que mais ouvimos são críticas e desabafos. Muitos dizem que a culpa é de Rosilene, outros falam que é de Ricardo e tem os que confessam que a sujeira vem de cima, lá de Blatter. Estão, até certo ponto, certos. Mas a culpa também é do sistema. Poderíamos tentar primeiro, analisar o problema que existe perto dos nossos narizes. A FPF (Federação Paraibana de Futebol) deveria facilitar um pouco mais para os times, dar mais respaldo lá fora e até oferecer a cadeira presidencial para outros esquentarem. Os times também, através de suas diretorias, precisam trabalhar com transparência e competência, para que os resultados apareçam, pois não é nada fácil fazer futebol com poucos recursos. Já o torcedor, tem a missão de prestigiar, ajudar, incentivar, reclamar e cobrar do seu time.

Futebol é um jogo onde todos são culpados e inocentes. Quem não quiser sentir fortes emoções não se meta com ele. Cada um responde pela importância que dá a determinado assunto. Se o futebol é para uns apenas divertimento, para outros é a razão de viver, fanatismo à flor da pele. O que podemos fazer é tentar sempre ver o lado bom das coisas e procurar resolver nossos problemas mais próximos, para depois tentar ir mais longe. Fazendo isto, provavelmente não perderemos o encanto e o romantismo pelo futebol, mesmo sabendo de toda sujeira que nele há. Quem tem telhado de vidro não atira pedra em telha.

 
 

 
O CRESCIMENTO DO FUTEBOL EM JOÃO PESSOA PDF Imprimir E-mail
Dom, 30 de Outubro de 2011 14:30

Como sou filho de Campina Grande, para muitos o normal seria defender com unhas e dentes os times da minha cidade, assim como faz a maioria dos cronistas da Rainha da Borborema. Mas não acho que este seja o papel do verdadeiro jornalista esportivo. É preciso observar os fatos e tentar ser o mais imparcial possível. É claramente perceptível a evolução que os times de João Pessoa vêm apresentando nos últimos anos. Botafogo, Auto Esporte, CSP, Flamengo e até o Santos, aos poucos vão mostrando que pior do que está não fica, como diria o Deputado Francisco Everardo Oliveira Silva.

Após a conquista da Copa Paraíba, o Auto Esporte voltou a sentir o gostinho de ser campeão, depois de um jejum que durou dezoito anos. Em 2010, o Botafogo levantou a taça da copinha na final contra o CSP, também de João Pessoa. CSP que encheu os olhos de todos no campeonato paraibano. Um time recém promovido à primeira divisão, que atuou de maneira extremamente competente e audaciosa, chegando ao vice-campeonato de 2011.

Não fosse a campanha irretocável do Treze, poderíamos ter a grata surpresa de ver o Centro Sportivo Paraibano, campeão. Um time que é bastante conhecido por revelar valores para o futebol brasileiro e até para o exterior, mostrou com a indelicadeza de um novato abusado, como se faz futebol, aos considerados grandes da Paraíba. Valorizar a prata da casa, formar talentos, exportá-los e manter uma liquidez capaz de ter sempre os seus compromissos em dia. Nada de grandes contratações. Apenas bons jogadores da região mesmo.

Também teremos em 2012, a estreia – na série A – de um time que já nasce com a desconfiança de muitos, principalmente de Campina Grande. Alguns o classificam como mais um genérico na Paraíba, o que poderá aumentar o coro dos que nos chamam de paraibacas por aí a fora. É o Flamengo paraibano. Particularmente, eu não gostaria de ver entre Treze, Campinense, Botafogo, Sousa, Nacional, CSP e outros, um Flamengo. O do Piauí mesmo, nunca chegou a lugar nenhum. Mas se a ideia é aproveitar o nome forte e a inegável paixão dos paraibanos pelo original carioca, quem sou eu para me opor?

E tem mais. Não é apenas isto que mostra o crescimento do futebol em nossa querida capital, João Pessoa. O Santos! Lembram dele? Enquanto criança, quando comecei a acompanhar o futebol paraibano, o time pessoense proporcionava as maiores goleadas do campeonato, juntamente com o Nacional de Cabedelo. Eram os dois sacos de pancada das terras tabajarinas. E não é que o Santos se inspirou nos meninos da vila e vão representar a Paraíba na Copa São Paulo 2012!

Está na hora de os raposeiros e trezeanos acordarem e refletirem um pouco antes de “descer a lenha” no futebol da capital paraibana. Eles estão evoluindo aos poucos e o que está acontecendo com Galo e Raposa? Uma vaguinha na Série D e nada mais. Essa de ficar desdenhando dos rivais, dizendo que em Campina Grande tem futebol, tem São João, só não tem praia, já era. O São João por enquanto não está ameaçado, mas dentro de campo, sei não viu. 2012 será o ano para sabermos quem manda no nosso futebol : Campina Grande? João Pessoa? ou será o Sertão? É bom os maiorais começarem a abrir o olho.

Em terra de cego, quem ainda tem um olho, continua sendo rei.

(Agradecer à Rômulo Leal – ex-presidente do Campinense – pela sugestão dada para que escrevêssemos este comentário).

 

 
TREZE X AUTO ESPORTE: COMO SURPREENDER O BICUDO? PDF Imprimir E-mail
Qua, 26 de Outubro de 2011 11:30

O jogo estava bem disputado. Ânimos acirrados, boas triangulações, algumas intervenções dos goleiros, mas nada de deslealdade. Existem sempre aqueles que não gostam de perder em nenhuma circunstância. A cada passe errado, um xingamento, um incentivo e a cobrança por resultados, mesmo em si tratando apenas de uma “brincadeira” entre amigos. De repente, recebo um passe açucarado de Glauber Gomes na entrada da área. Estou de costas para o gol e antes de a bola chegar até mim, já tinha dado aquela olhadinha para o goleiro. Então, sem dominar a bola, virei batendo no gol e caso o narrador JCC estivesse lá diria: Redeeeeeee! O goleiro apenas olhou para o lado e viu a pelota morrer no fundo do filó.

Este racha foi realizado no campo Society da Korpus sob os olhares do professor Vanildo Leite. Aconteceu numa sexta-feira à noite, em meados de julho e também contou com as presenças de Giovani Montinni, Betinho, Glauber Gomes, Hélio Oião, Washington, Tico, Evaldo, Josenildo Tabira, Valter, Luís, Jefferson Nolette, Rolim e outros atletas do mundo do futebol. O goleiro em questão, que tomou o gol marcado por mim, era o treinador do Treze na Copa Paraíba, Anderson Bicudo.

Ele estava improvisado no gol e acabou sendo surpreendido pela minha capacidade de raciocínio rápido na hora H. Confesso, sem falsa modéstia, que tive naquele instante um lampejo de Edmundo, o Edgol. Frieza e oportunismo naquele último toque. Exageros à parte, na verdade, sou apenas um humilde ex-jogador do Leonel, que de vez em quando gosta de praticar atividade física e bater aquela bolinha, reconhecendo que não sou dos melhores e nem dos piores em um racha.

Nestes dias que antecedem a final da Copa Paraíba, o ex-jogador e recém promovido a treinador, Anderson Bicudo, deve estar “lambendo os beiços” para conquistar o seu primeiro título na nova carreira. Embora o Galo, assim como o Auto Esporte, já esteja na Copa do Brasil 2012, o título seria muito bem vindo. De um lado Bicudo, querendo se firmar como técnico e do outro Ramiro Souza, que quer dar ao Auto Esporte e aos seus torcedores a chance de serem mais uma vez campeões, fato que não acontece desde 1992, numa final que também foi jogada diante do Treze.

O Galo venceu a primeira partida das finais por 1 x 0 no Amigão, em Campina Grande. No sábado (29) acontece o jogo da volta em João Pessoa, Estádio da Graça. Após um ano de decepções no futebol paraibano, esta decisão pode marcar o ressurgimento de um time de tradição na Paraíba – o Autinho do Amor – a consolidação do trabalho do competente Ramiro Souza e a motivação necessária para que Anderson Bicudo possa aparecer logo com um título, juntamente com os meninos do Treze B. A essa altura do campeonato, é possível que Ramiro esteja pensando numa forma de surpreender Bicudo. Se fosse lá no campo da Korpus eu poderia dizer o que fazer, mas se meu joelho permitir, continuarei surpreendendo a muitos, principalmente no racha do twitter, todo sábado no parque da criança.

 

 


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